Amanheceu. O dia ainda era indiferente. O calor estava desprezível e senti um leve impulso de recusá-lo e continuar deitada na cama. Mas lembrei que não estava só e tinha que sair daquele estado vegetativo. Fui deixá-la e na volta percebi que o calor aumentara. Aquelas ondas quentes me acertava à medida que tentava voltar pra casa.
Ca-lor - falei. Fechei os olhos lentamente e balancei a cabeça para os lados, quando os abri tive a sensação que parei na rua e comecei a caminhar, incrédula do que se passou. Entrei em casa. Tinha que estudar, mas meus pensamentos (que criavam vida própria) procuravam me levar até onde a brisa é fria, imperceptivelmente, doce. Talvez alegre, talvez triste. Isto vai depender dos olhos.
Dialogando com o vazio decidi levantar e caminhar... ou melhor estudar. Minhas ideias eu aniquilarei, não irei ser prostrada. Dessa vez não.
Sempre saberei que o torpor voltará. Então esperarei por ele aqui em pé. Firme. Incrivelmente inabalada, como se eu me transformasse diante de uma guerra (e na verdade era). A batalha em que eu preciso vencer, pois ela me quer ver morta no chão frio. Se for assim, levarei-a comigo.
