domingo, 15 de agosto de 2010

Hora de acordar

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    Amanheceu. O dia ainda era indiferente. O calor estava desprezível e senti um leve impulso de recusá-lo e continuar deitada na cama. Mas lembrei que não estava só e tinha que sair daquele estado vegetativo. Fui deixá-la e na volta percebi que o calor aumentara. Aquelas ondas quentes me acertava à medida que tentava voltar pra casa.
   Ca-lor - falei. Fechei os olhos lentamente e balancei a cabeça para os lados, quando os abri tive a sensação que parei na rua e comecei a caminhar, incrédula do que se passou. Entrei em casa. Tinha que estudar, mas meus pensamentos (que criavam vida própria) procuravam me levar até onde a brisa é fria, imperceptivelmente, doce. Talvez alegre, talvez triste. Isto vai depender dos olhos.
   Dialogando com o vazio decidi levantar e caminhar... ou melhor estudar. Minhas ideias eu aniquilarei, não irei ser prostrada. Dessa vez não. 
  Sempre saberei que o torpor voltará. Então esperarei por ele aqui em pé. Firme. Incrivelmente inabalada, como se eu me transformasse diante de uma guerra (e na verdade era). A batalha em que eu preciso vencer, pois ela me quer ver morta no chão frio. Se for assim, levarei-a comigo. 

sábado, 14 de agosto de 2010

Confissão

 - Porque meu maior medo era que ele se transformasse em uma lembrança que se afogasse no desespero.

   Estava anoitecendo. A sala estava silenciosa, não havia nada a falar. Os meus olhos lutavam para não cair na armadilha de chorar. Talvez, isso era o que eu queria... me jogar contra aquelas lembranças. Eu já não pronunciava seu nome
   - Eram somente palavras - pensava. Mas doía só de pensar em todos os momentos que eu o segurei para não cair sozinho e acabar na solidão.
   Uma vez me falara que me amaria pra sempre. - Sempre - cuspi. Cadê o 'sempre'? Agora já não importava, eu iria ter que aguentar isso até o final. Isso é, se acabar um dia. Minha vida escondida por atrás de mentiras alojadas na parede de vidro, já se tornou um mistério. Daqueles que tu ver e apenas vira a cara como um idiota.
   O jogo limpo. Não vale nada se não te deixam acordar. A vida é simples, se tu não se mata, acaba morrendo no final. Pois ela é sem saída, a explicação é tu que escolhe.
   Ainda assim, o mais difícil era suportar tudo sem se ferir. As cicatrizes doem mais que a própria faca.