O céu estava escuro com tons avermelhados misturados com as nuvens. Serenava e relampiava, um pouco. O frio para quem se atreve sair de casa é um tanto convidativo, não parecia mesmo que era Teresina. Me atrevi a colocar uma blusa de mangas longas que há tanto tempo não usava e quase não a encontrei de tanto escondida que estava. A sala onde eu sempre me refugiei é quem ainda me dá apoio todos os dias.
- Mas só não culpe minha fraqueza, foi você mesmo que me dizia que teu amor era o suficiente para mim. Entreguei meu coração até que, um dia você se cansou dele e o deixou cair no chão: despedaçando em pequenos vidros afiados. Minha dor cresce e a cada dia penso mais em ti do que em mim, te amo mais que tudo e você nem me dá uma sequer palavra de consolo.
A chuva, propositalmente, atrapalhou meu diálogo e, por alguns minutos, esqueci do que eu relatava ao vento. Ainda chove, será que assim ele consegue me amar? Fui até a janela para espiar a chuva, além de observar o muro vi as gotas ficarem mais pesadas e melancólicas, parecendo mais uma sinfonia do que a própria chuvarada. Não sinto fio, aliás, não sinto mais nada. Quando ele resolveu partir levou o meu coração, a única coisa que me fazia ter sentimentos. Como irei sentir algo? Agora, eu sou um robô vivo que em fez de possuir um chip, existe um grande vazio dentro de mim que agoniza e grita pelo seu amado.
