Ninguém se importava com aquilo, era tudo rotinal, mas ainda sim a dor sempre foi surpresa pra mim. Consigo me lembrar das outras vezes, me lembrar com os olhos apenas. A dor que vinha sempre passara por mim e depois despedia-se feliz por ter o serviço feito. Tentei em vão afastá-la daqui, nem sei porque. Depois eu me via entrar melodicamente, inútil nos piores doces pesadelos que me contava. Um ser se desgasta de sempre correr para o lado contrário. Por um momento, senti sua presença, imediatamente, corri para me isolar e esquecer da voz dele.
- São apenas vozes... são apenas sonhos - pensei.
Revirei-me, a dor que viajava na minha cabeça já era física e se eu não me cuidasse iria ter que aguentar aquilo. Passei meus dedos nos dois lados da minha cabeça e massageei-os em círculos imperfeitos. Nada. Suspirei levemente e quase dopada me apoiei nos braços da cama e sentei... atônica. Parecia vertigem, mas era apenas saudades. Levantei-me e forcei minhas pernas a caminhar.
